A pesquisadora Aline Rochedo, da etnia Puri, vem realizando o projeto “Mitã Yakã Pyguá” com recursos do edital Territórios Culturais/ Memória e Cidadania junto com sua equipe. O projeto chama a atenção para as mulheres indígenas nascidas ou radicadas no Rio de Janeiro, rememorando os contos e histórias de cada povo por meio de entrevistas.
Para os indígenas, povos Originários brasileiros, a mulher tem função primordial da preservação de sua cultura, seja pela arte da tecelagem, nas técnicas primitivas de olaria, na arte do grafismo que registra a espiritualidade no corpo e na transmissão de saberes a seus filhos. O trabalho busca apresentar especificamente a realidade das mulheres que se encontram em contexto urbano, suas conquistas e desafios.
Como produto do projeto, serão publicados dois livros. O primeiro é o “Mapeamento de Mulheres Indígenas em contexto Urbano”. O mapeamento foi iniciado em janeiro de 2017, com visitas a conjuntos habitacionais onde se sabia que poderiam ser encontradas mulheres com o perfil procurado. O primeiro local visitado foi a antiga Colônia de Curupaiti, em Jacarepaguá, onde alguns indígenas estão abrigados desde 2013. A segunda visita ocorreu na Aldeia Vertical, localizada no Estácio, onde algumas famílias da etnia Guarani foram contempladas com apartamentos do programa “Minha casa, minha vida”, também em 2013. A pesquisadora entrevistou 12 mulheres de nove diferentes etnias, e realizou reuniões semanais com elas durante o mês de fevereiro de 2017.
Para divulgar o projeto e dar visibilidade a ele, foram realizados dois encontros em locais públicos. Em 8 de março, aproveitando o ensejo do Dia da Mulher, foi realizada a “Mobilização Mulher Indígena” um primeiro encontro onde o projeto pôde ser apresentado a mais pessoas. As mulheres se reuniram numa roda de conversa no jardim do Palácio do Catete. O segundo encontro foi realizado no “Centro de Etnoconhecimento Sóciocultural e Ambiental Caiuré” (CESAC), no bairro de Tomás Coelho, sendo voltado às mulheres indígenas moradoras do Complexo do Alemão. Protagonizado por Maynumi Guajajara, o espaço oferece diversas oficinas para crianças além de ser referência da resistência Indígena Aldeia Maracanã. Na ocasião, foram iniciadas as gravações das primeiras entrevistas que darão suporte ao livro.
A segunda obra a ser publicada, intitulado “Mitã Yakã Pyguá”, será um livro infantil que trará contos e jogos que auxiliem o aprendizado de idiomas indígenas. O conteúdo está sendo criado a partir do contato com as mulheres que participam do projeto.

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Aline Rochedo: (21) 986385080